Green Day lança novo álbum!

Atualizado: 10 de Fev de 2020

Aconteceu! Após quatro anos sem lançar nenhum álbum a banda americana Green Day decidiu voltar a ativa com um novo trabalho chamado “Father of All...”.

Iai estranho! Há quem prefira o Green Day na sua época inicial (entre os anos 80/90) em que os rapazes tocavam punk rock, faziam guerra de lama com os seus fãs, quebravam guitarras e baterias no palco e explodiam nas rádios, especialmente com o lançamento do álbum Dookie (1994). A partir dos anos 2000 o som da banda começou a mudar.


Com o surgimento do álbum 21st Century Breakdown (2009), Billie Joe já apresentava sintomas do compositor que estava cansado da mesmice de sempre, apresentando músicas voltadas ao pop rock, alternativo, pop punk. De modo geral, as mudanças não causaram desgosto dos fãs que aclamaram músicas como “Know Your Enemy” e “21 Guns”.


Green Day em Woodstock 94 (Guerra de lama)


Mas as mudanças não pararam. O até então último álbum do Green Day, Revolution Radio (2016), já apresentava um grande distanciamento do antigo punk rock da banda. Não que isso seja algo ruim, o próprio Billie Joe, vocalista e guitarrista da banda, declarou para a revista Rolling Stone que considera o primeiro verso da abertura de Somewhere Now o melhor começo de álbum em que a banda já fez (discutível).

E agora, no dia 07 de fevereiro de 2020, a banda lançou Father of All..., álbum com duração de 26 minutos, sendo assim o mais curto de sua discografia. O projeto veio com a promessa de trazer de volta o punk rock raiz da banda. Cumpriu? Não. Definitivamente não.


Por algum motivo, o vocal do álbum apresenta uma forte distorção em suas músicas e efeitos de som que não eram comumente utilizados nas composições da banda (como aplausos no meio da música) que tornam o projeto um tanto adolescente para o peso que o nome Green Day carrega e a reputação que construiu ao longo dos anos.


Green Day - Father Of All... (Videoclipe oficial) - Single


Antes de comentarmos cada elemento do projeto, vamos deixar claro que está sendo levado em conta aqui todo o background da banda desde seu início até o momento. Seguem nossos comentários e suas pontuações de 0 a 5:


Father Of All...

A música que recebe o nome do álbum é sempre a mais esperada. De fato, Father Of All... tem o potencial de ficar na sua cabeça e chega a causar empolgação com a guitarra de Mike Dirnt. Mas novamente, o vocal distorcido de Billie Joe faz com a música nem pareça pertencer ao Green Day.


Nota: 2,5


Fire, Ready, Aim

Aos 7 segundos da música eu tive que pausar o aplicativo porque achei que tinha entrado alguma propaganda de uma banda adolescente no meio do álbum. Estava enganada, era o Green Day mesmo. Alguma coisa nesta música (talvez as palmas, backing volcals ou a voz distorcida de Billie Joe) me fizeram lembrar de uma época sombria, aproximadamente 2007, em que todos ouviam Jonas Brothers. Triste realidade, a música não é boa.


Nota: 1


Oh Yeah!

A música Oh Yeah! Usa e abusa do uso de backing vocals e dos efeitos Reverb, Echo e Delay (aqueles que dão a sensação de que o vocalista está em um ambiente vazio e fechado). Para deixar claro, o vocal distorcido ocorre do começo ao final do álbum, sendo assim, não irei mais comentar este erro bizarro da banda. Com esta música notei que o som da banda se tornou preguiçoso, ou seja, temos um conjunto se acordes com poucas variações que quase não se desenvolvem no decorrer da música.


Nota: 1


Meet Me on the Roof

Neste momento do álbum começamos a nos acostumar com o novo estilo da banda e a nos recuperar do choque térmico entre Revolution Radio e Father of All.... Esta música foi uma das apostas da banda no álbum. Por este motivo, lançaram em conjunto um vídeoclipe com o ator Gaten Matarazzo (nosso querido Dustin de Stranger Things). Chega a ser nostálgico acompanhar o personagem de Billie Joe incentivando um adolescente a fazer loucuras como saltos de moto num telhado, sendo que ele mesmo, como todos sabemos, foi um jovem bem rebelde. Em relação a qualidade musical, é possível sentir uma singela melhora quando comparado com as músicas acima. Apesar de ainda conter muitos elementos adolescentes, a construção aparenta ser um pouco mais complexa e melhor trabalhada.


Nota: 3


I Was a Teenage Teenager

Nesta música podemos ouvir e sentir de forma mais clara o desenvolver da música e uma preocupação com sua estética. O que mais me chamou atenção neste momento do álbum foi a letra em que Billie Joe canta: “[...] I was a teenage teenager ... My life is a mess and school is just for suckers”. Isto me fez pensar em o quanto o vocalista está falando de si mesmo neste momento e de sua realidade quando era um punk rocker adolescente. Estaria ele arrependido de seu passado? Isso poderia explicar a mudança brusca no estilo da banda.


Nota: 3,5


Stab You In The Heart

Admito que quando vi o título desta música pensei: “Agora é o momento em que a promessa da volta do Green Day raiz irá acontecer.” E a decepção não foi total. Uma releitura do clássico do grande rei Elvis Presley – Jailhouse Rock com um título agressivo não era menos que eu esperaria de um compositor punk que entende muito bem de música. Até mesmo a distorção vocal está muito mais leve. De longe, uma das minhas preferidas de Father of All...


Nota: 4


Sugar Youth

Para a decepção de quem achou que eu apenas falaria mal do novo álbum, pasmem: Em Sugar Youth conseguimos encontrar DNA’s do Green Day perdidos entre os acordes. Billie Joe fez um excelente trabalho na composição da letra começando com a seguinte frase: “What are the symptoms of our happiness and Civil War?”. Mas é quando o refrão chega que conseguimos finalmente nos lembrar de que estamos ouvindo Green Day. Foi reconfortante encontrar esta faixa dentro de Father Of All...


Nota: 4


Junkies on a High

A junção do baixo com a guitarra de Mike Dirnt deu à esta música um peso de fazer os ouvidos dançarem. Não é a melhor faixa do álbum, mas se destaca em qualidade de composição, levando em consideração letra, melodia e harmonia (sendo que esta última poderia ter sido um pouco melhor).


Nota: 3


Take the Money and Crawl

A música apresenta um enorme potencial com um começo tarantinesco, velho oeste, cria uma atmosfera de mistério e tensão apenas com o instrumental. E então, quando tudo parecia estar melhorando, voltamos para o início do álbum em que as músicas estão preguiçosas e pouco desenvolvidas com leves variações de acordes. Fraco.


Nota: 2


Graffitia

“Fechar com chave de ouro” não poderia ter feito mais sentido. Graffitia tem elementos de pop punk que o Green Day vem utilizando muito nos últimos álbuns. Este traço caracteriza muito esta música que parece ter sido feita para se ouvir enquanto viaja de carro em uma longa estrada. Ela não tem a composição com a qualidade alta o suficiente para suprir minhas expectativas com o álbum, mas é uma faixa que eu colocaria nas minhas “mais queridas” no celular.


Nota: 3,5


Resumindo: todos nós esperávamos mais deste álbum. No entanto, ele não é de baixa qualidade. A medida em que ele se desenvolve e nos acostumamos com este novo tipo de som, algumas faixas se tornam realmente interessantes e até mesmo empolgantes. O fator que realmente me causa maior incômodo é a voz sintetizada de Billie Joe Armstrong, vocalista da banda, que hoje tem 47 anos, no entanto, basta conferir seus shows atuais para confirmar que sua qualidade vocal não foi afetada de forma tão agressiva com o passar dos anos para que tenha a necessidade de utilização desta ferramenta. Nos resta agora esperar os próximos passos do Green Day.


Nota Geral do álbum: 3


Mas e você, estranho, o que achou do novo álbum? Deixa ai nos comentários!


Resenha da nossa incrível Waver e fâ de Green Day- Larissa Reis

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